Literatura africana: o que você deveria saber para começar a ler

Quantas vezes você já presenciou escritoras africanas sendo homenageadas em espaços de trocas literárias? Ou estudadas em disciplinas que compõem a lista de obrigatórias dos cursos universitários ou até mesmo sendo referência das provas do ENEM? 

É muito comum ouvir nomes de escritores, em sua maioria homens, brancos, europeus e heterossexuais, nas universidades, nos clubes de leitura ou em um papo descontraído entre leitores ávidos. Sendo citados com tamanha reverência como os clássicos da literatura. Mas, por que é mais difícil ver a literatura africana inserida nesses contextos? 

Se você chegou até aqui e quer entender mais sobre esse tema e ainda conhecer escritoras africanas, esse artigo é para você. Siga nessa leitura e saiba mais. 

O que é literatura africana e qual sua importância?

Literatura africana é toda literatura produzida por autores e autoras nascidos em algum dos 54 países do continente africano.

No entanto, apesar do seu importante papel social e cultural, a literatura africana não recebe a atenção necessária. A ação do racismo faz com que essas produções sejam diminuídas, deslegitimadas e oprimidas. 

Por isso, ler literatura africana é uma forma de resgatar todo um legado cultural e ancestral, além de visibilizar essas produções. Pensando nisso listamos 3 escritoras africanas para você incluir na sua lista de leituras. 

3 escritoras africanas para você conhecer  

Literatura africana
Literatura africana: o que você deveria saber para começar a ler 2

1. Scholastique Mukasonga

Scholastique é escritora e ativista da diáspora negra. Nasceu no ano de 1956 e foi sobrevivente do massacre que aconteceu em Ruanda, no ano de 1990. A autora tem 5 obras publicadas e recebeu grandes prêmios literários, a exemplo do Prêmio Renaudot, um dos mais importantes prêmios literários da França. 

Entre os livros publicados, está o livro La Femme aux pieds nus, em português, A mulher de pés descalços, publicado no Brasil em 2018 pela editora Nós. Neste romance, Mukasonga fala sobre os conflitos que aconteceram entre as etnias Tutsi e Hutu, em Ruanda, que culminou na morte de várias pessoas, inclusive sua mãe, Stefania. O livro é uma homenagem à memória de sua mãe. 

2. Ayobami Adebayo

Ayobami Adebayo nasceu em 1988, na cidade de Lagos, na Nigéria. É mestre em Escrita Criativa pela Universidade de East Anglia, na Inglaterra e desde 2009, editora da revista literária nigeriana Saraba. 

Fique comigo é seu livro de estreia e foi publicado em 15 países recebeu vários prêmios e menções. Além de ser classificado como um dos melhores do ano de 2017 nas listas do New York Times. 

3. Paulina Chiziane

“Me tornei mais atrevida em relação a minha escrita quando entrei em contato com os movimentos negros brasileiros, isso me deu vitalidade de discutir o que significa ser negro na África.” Diz Paulina, em entrevista ao Brasil de Fato

Paulina Chiziane Nasceu em 1955, em Manjacaze, Moçambique. Começou a escrever em Jornais no ano de 1984, mas só publicou seu primeiro livro seis anos depois. Tem 9 obras publicadas e traduzidas para vários idiomas. 

A escritora é uma das maiores referências literárias em seu país e acredita que, Brasil e África têm muito a aprender um com o outro.